Por Fabiana Guerra**
No primeiro semestre, a inflação ao consumidor nos EUA chegou a 2,7%, enquanto o aumento moderado nos preços da economia, excluindo os efeitos de flutuações de preços de alimentos e energia alcançou 2,9% ano a ano.
A alta acontece mesmo após cortes de tarifas por parte da administração Donald Trump, e preocupa porque reside distante da meta central de 2% do Federal Reserve.
Esse descolamento reduz as chances de um corte de juros imediato, mesmo com a economia mostrando sinais de arrefecimento.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) e o Peterson Institute for International Economics (PIIE) revisaram suas projeções para 2025, estimando uma expansão do PIB entre 1,5% e 1,6%, substancialmente abaixo dos 2,8% registrados em 2024.
O PIIE, inclusive, alerta para a possibilidade de crescimento quase nulo (0,1%) e inflação quase chegando a 4,5% nos próximos meses.
Dados do St. Louis Fed mostram uma desaceleração no consumo e expectativas inflacionárias em alta, refletindo tarjas simbólicas como “vibecession” – uma sensação de recessão mesmo sem dados que a confirmem.
Pesquisas da University of Michigan e National Federation of Independent Business apontam queda no otimismo dos consumidores, que preocupam ao registrar níveis próximos aos do início de 2023. Pequenas e médias empresas relatam incerteza elevada sobre tarifas e custos de insumos.
Somando isso ao cenário externo, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) alerta que, caso as barreiras tarifárias permaneçam — em especial aquelas impostas a parceiros estratégicos como EUA, Canadá e México — o crescimento global poderá sofrer um impacto adicional de até 0,3% em dois anos.
Essa preocupação se intensifica com a possibilidade de retomada de políticas protecionistas, como as tarifas implementadas durante o governo Donald Trump, que elevaram os custos do comércio internacional e aumentaram as tensões comerciais.
A volatilidade, os ajustes de tarifas e a reprecificação de ativos reforçam que a confiança, seja doméstica ou global, é volátil e pode refletir os problemas reais com defasagens.
Os EUA continuarão sendo uma superpotência econômica, mas 2025 sinaliza uma retenção notável, com inflação persistente, crescimento contido e incerteza política.
**Fabiana Guerra é Sócia-Fundadora & Head de Mobilidade Global da Astra Global Advisors.
Advogada e contadora especializada em mobilidade global, internacionalização de carreiras e de negócios, acumula passagens por grandes corporações como PwC, Procter & Gamble, C&A Modas, LATAM Airlines e Grupo Coca-Cola.
Entre seus clientes figuram Alpargatas, Santher, Beige Corporation, Wyda Embalagens, Haras Portofino, CSU Digital, SpeedAgro e Senna Brands, além de family offices, executivos e investidores individuais.